Caras,
o que acontece com todas aquelas pessoas que conhecemos ao longo de nossas vidas e, por algum motivo que às vezes até mesmo não conhecemos, desaparecem? Aquelas pessoas com quem tivemos uma desavença e provavelmente nunca mais trocaremos uma só palavra. Aquelas pessoas que viajaram pra bem longe e, quando vêm pra perto, não tomamos coragem de vê-las para saber como elas vão, simplesmente porque não nos interessa mais.
Por que só nos interessa aquilo que acontecesse com aquelas pessoas cuja rotina coincide com a nossa? Aquelas pessoas com que, por algum motivo, nos sentimos realmente ligados; aquelas pessoas das quais gostamos; aquelas que amamos; e até mesmo aquelas por quem a gente está apenas apaixonado. Por que de repente é como se as vidas delas e as nossas não estivessem mais ligadas?
O que acontece com aquelas pessoas que você já beijou? E hoje não olha na cara. Aquelas pessoas com quem você trepou, e hoje não pode ouvir falar no nome. Por que fazemos isso? O que acontece no meio do caminho que impossibilita alguém tão íntimo seu virar um ninguém em questão de dias?
Se pessoas não resistem em seu círculo de amizades por uma troca de ambientes, eles não eram seus amigos de verdade? Como é possível medir o nível de amizade que você tem com alguém? Qual a equação que se deve usar pra saber se você continuará amigo dele pra sempre ou só até o café da manhã de 23 de outubro de 2009? E que fórmula é necessária pra descobrir se seu amor pra vida toda vai pelo menos durar até a páscoa?
Mas, caras,
qual a importância disso tudo? Cada passagem, cada acontecimento de nossas vidas nos marcou de algum jeito. E o mais engraçado é que muitas vezes a gente nem se lembra do acontecido. A memória factual é um lixo, sabiam? E ela nem é tão relevante assim. As cicatrizes são mais profundas: muda-se o jeito de agir, de pensar, de andar, de cagar. Antes eu nunca tinha controlado meu relógio biológico pra ir cagar na FEA, exatamente após um almoço no bandejão da Física, me afogando no suco de amarelo.
É,
o mundo é todo torto. Mas acho que o que fica de bom são essas linhas retas que o atravessam e, se não trazem momentos à sua memória, pelo menos trazem um sorriso à sua cara cinza e apressada. Quero entender o pré, o durante e o pós racionalmente, quero responder os porquês – ainda mais hoje –, mas por enquanto fica esse sorriso grande o bastante pra perceber que a vida é foda e pequeno o bastante pra não parecer que eu tenho síndrome de Down.
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